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publicado em:7/07/19 3:00 PM por: marcelo_mb_rj Notícias

Para quem acompanha o cenário naval comercial no mundo, o fenômeno da pirataria marítima  tornou-se o principal fator de análise de riscos, seguido dos incêndios à bordo e colisões entre embarcações. Os ataques à navios de carga se intensificaram como meio de ganho fácil para criminosos especializados e grupos terroristas em geral, que se aperfeiçoaram em suas táticas, ampliaram suas áreas de atuação, e, mesmo com a intensificação do emprego de segurança especializada embarcada, ainda assim agem por quase todos os mares de países de 3° mundo, com maior intensidade na África, Oriente Médio e sudeste asiàtico, e isso ainda ocorre pois a proporção de PMC’s/SSO’s empregados ainda é um mínimo em comparação com a quantidade da frota mercante/comercial em circulação pelo mundo. Mas um fato é concreto no meio; navios que possuem segurança armada profissional à bordo, inibem e/ou repelem todas as tentativas de ataque com 100% de eficiência, e, o custo final é bem inferior à perda de uma embarcação sequestrada e uma tripulação morta ou gravemente ferida!

Fonte: https://dryadglobal.com/analytics/

Desde o começo do ano de 2019, os incidentes já batem na casa dos milhares e com algumas dezenas sendo considerado de extrema gravidade, com a possibilidade de criar condições tão graves que quase ocasionaram uma guerra, como foi o caso dos ataques aos navios petroleiros no Golfo Pérsico(1) no mês passado (ainda sob investigação), e, no mesmo período, mais de uma dezena de embarcações foram atacadas na costa ocidental africana, inclusive com tripulações mantidas reféns dos terroristas que invadiram os navios, mantidas prisioneiras  durante dias sem alimentação e água.

A situação já abrange até mesmo o bem movimentado e patrulhado Mar Mediterrâneo, com alguns incidentes acontecendo em operações de resgate de imigrantes ilegais que se aventuram a atravessar o Mar em direção à Europa, e se aproveitam da fragilidade de ações de resgate para dominar as tripulações de embarcações que efetuam o resgate de migrantes à deriva proposital (2).

Mesmo efetuando um excelente trabalho, a EU NAVFOR não consegue ser omniscente em todas as HRA e sua atuação depende de acertos diplomàticos de dificil agilidade junto aos paìses africanos onde essas HRA estão mais ativas. Imagem via EU NAVFOR.

O cenário geral é que desde dezembro de 2008, com o início da Operação Atalanta organizada pelo EU NAVFOR* na costa da Somália, região do Mar Vermelho e Mar da Arábia, a atividade de pirataria marítima diminuiu apenas na região mas acabou por se dispersar pelo mundo, atingindo rotas comerciais inimagináveis, como foi o caso do ataque à uma embarcação no Oceano Atlântico com destino ao Reino Unido, e que teve a tripulação mantida refém e liberada somente após a intervenção de Forças Especiais(3).

(1) – Dois navios petroleiros atacados no Mar de Omã, Por Redação DefesaTV – 13 de junho de 2019 08:56

https://www.defesa.tv.br/dois-navios-petroleiros-atacados-no-mar-de-oman

(2) – Forças Especiais de Malta libertam navio sequestrado por migrantes no Mediterrâneo PorYam Wanders – 

https://www.defesa.tv.br/forcas-especiais-de-malta-libertam-navio-sequestrado-por-migrantes-no-mediterraneo/

(3) – Forças Especiais Navais Britânicas retomam embarcação sequestrada no estuário do Tâmisa Por Yam Wanders – 22 de dezembro de 2018 13:57

https://www.defesa.tv.br/forcas-especiais-navais-britanicas-retomam-embarcacao-sequestrada-no-estuario-do-tamisa/

*EU NAVFOR: European Union Naval Force.

Empresas crescendo e escolas de PMC/SSO lotadas na Europa

A Europa ainda é um dos continentes com a maior concentração de entidades de formação para os profissionais da segurança privada de alto risco, disputando com os USA e Rússia a hegemonia do mercado. Desde a alguns anos as empresas já estabelecidas oferecem formação cada vez mais aprofundada, diversificada e com preços cada vez mais acessíveis aos baixos orçamentos pessoais.
Porém as exigências continuam grandes para o perfil dos profissionais que participam dos processos de seleção nas grandes empresas de segurança, com os requisitos básicos; falar inglês à nível médio para avançado, boa forma física, bons antecedentes, capacidade intelectual comprovada através de rigorosos testes intelectuais, psicológicos e psicotécnicos, entre outros pormenores.

Em pesquisa recente, levantei  que existem pelo menos 30 grandes empresas de segurança envolvidas com atividades de alto risco, mas que oficialmente não declaram oferecer serviços que possam ser qualificados como PMC, e, para cada empresa dessas, mesmo as que possuem seus próprios meios de fornecer formação de alto padrão, existe a presença de pelo menos mais 3 a 5 outras “empresas parceiras”, que fornecem profissionais de segurança com formação considerada “ampliada”, e, com capacitação para atuação em regiões consideradas  HRA (High risk área) no exterior. E essa quantidade não para de crescer!

Uma dos mais conceituados centros de formação de profissionais da àrea e que possui uma ampla gama de cursos de especializações està com turmas lotadas e lista de espera para até 6 meses dependendo do curso.

Durante a semana, entrei em contato com 10 “escolas” que anunciam abertamente na internet que trabalham com a formação de “PMC’s/SSO’s, todas localizadas na Europa, e todas estavam com classes lotadas para seus cursos básicos, e todas orientam aos interessados que deixem seus contatos via email para uma “lista de espera”, já que dependendo do curso, a previsão de novas vagas pode variar de alguns dias, semanas, ou, para até o final do mês de janeiro de 2020!

Para os interessados brasileiros não existe outra alternativa que aprender a falar inglês em nível intermediário para avançado e procurar uma escola que atenda a relação custo x benefício adequada ao mesmo. O Brasil tão cedo não terá um mercado nacional aberto para a atividade devido à legislação que restringe muito a atuação de empresas de segurança, apesar de existirem atividades amplas das empresas de segurança em serviços considerados de menor periculosidade.

Observação importante: Como essa e outras matérias jà publicadas sobre PMC’s/SSO’s, esta não tem por objetivo fazer propaganda de instituições de formação e/ou contratação, recomendo aos leitores que tenham a devida precaução para bem refletir e se informar antes de se aventurar na área, evitando gastos e viagens desnecessárias.

Saiba mais sobre o assunto:

– Como se tornar um PMCPrivate Military Contractor, Por Yam Wanders – 18 de janeiro de 2019 19:01

https://www.defesa.tv.br/como-se-tornar-um-pmc-private-military-contractor/

https://www.defesa.tv.br/podcast/como-se-tornar-um-pmc-private-military-contractor/

– Ataques de pirataria marítima duplicaram no Oceano Atlântico em 2018, Por Yam Wanders – 21 de janeiro de 2019 08:37

https://www.defesa.tv.br/ataques-de-pirataria-maritima-duplicaram-no-oceano-atlantico-em-2018/

As estatísticas da Dryad Global

A Dryad Global é uma empresa que fornece consultoria de segurança e prevenção de riscos globais para empresas do trasporte maritimo, entre outras, trabalhando com alto volume de informações privilegiadas para seus clientes que operam em HRA ou querem evitar essas HRA pelo mundo.

Vejam abaixo algumas estatísticas da Dryad Global sobre a atividade de pirataria a nível global que endossam o exposto na matéria.

Fonte: https://dryadglobal.com/analytics/

A posição e declarações de organismos internacionais e governamentais sobre os fatos

Apesar de toda a polêmica, nenhum organismo governamental ocidental quer se posicionar oficialmente contra ou à favor, já que o emprego de PMC’s/SSO’s acaba por oferecer atividade profissional aos milhares de militares especializados que partem para o mercado civil após o serviço militar ativo.

A posição da IMO

Atualmente a IMO – International Maritime Organization (órgão da ONU) não toma nenhuma posição oficial sobre a recomendação do emprego de segurança armada (privately contracted armed security personnelPCASP) à bordo de embarcações comerciais, mas não deixa de divulgar informações detalhadas sobre tudo o que ocorre no âmbito da atividade de pirataria à nível mundial e mantém ainda em divulgação uma circular publicada no ano de 1993, na qual desencoraja o emprego de segurança armada à bordo de embarcações comerciais. Obviamente essa “recomendação” se tornou obsoleta frente ao cenário atual.
O assunto de contratação de segurança armada para as embarcações é complexo e esbarra em legislações diversas para cada país e ainda tão cedo não será objetivo de uma regulamentação internacional, o que deixa a margem legal para cada empresa de navegação organizar sua estrutura de segurança como bem achar melhor e adaptá-la de maneira diferente em cada mar territorial e/ou porto na qual a embarcação se encontre navegando ou aportando.

Mais detalhes podem ser encontrados nas páginas da IMO que trata dos diversos detalhes do assunto:

http://www.imo.org/en/OurWork/Security/PiracyArmedRobbery/Guidance/Pages/default.aspx

http://www.imo.org/en/OurWork/Security/PiracyArmedRobbery/Pages/Private-Armed-Security.aspx

A posição da UKMTO

A UKMTO é uma organização governamental da Royal Navy, que interage com outras Marinhas Nacionais, empresas e organismos da marinha comercial internacional e regionais, estabelecendo linhas de comunicação e tomada de decisões para  casos ou ações diretas em situações nas HRA (High risk áreas). E no caso da UKMTO não há declarações oficiais sobre os fatos, porém o óbvio é que se uma organização dessas foi criada, é devido ao fato do óbvio crescimento das atividades de pirataria/terrorismo marítimo e o consequente descontrole das autoridades de países de 3° mundo frente ao problema.
Apesar de não existir a declaração oficial, todos sabem que embarcações da Royal Navy navegam pelo mundo todo em diversas missões e estão sempre aptas a prestar o devido apoio caso necessário e/ou solicitado pela embarcação em perigo, mas ainda assim, ações diretas são limitadas devido às complexas legislações do direito marìtimo nacional e internacional aplicada para cada região do mundo.
Sobre o emprego de PMC’s embarcados, também não existem nenhuma menção sobre o assunto no site da UKMTO.

Site da UKMTO:

https://www.ukmto.org/about-ukmto

O post Contratações de PMC’s aumentam após ataques no Oriente Médio e África apareceu primeiro em DEFESA TV.


Source: DefesaTV





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