Governo alemão descarta participar de missão naval no Estreito de Ormuz - Geopolítica MundialGeopolítica Mundial
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publicado em:1/08/19 9:30 AM por: marcelo_mb_rj Notícias

A Alemanha não irá participar da missão naval liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz , uma vez que deseja aliviar as tensões com o Irã, revelou o ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, nessa quarta-feira (31).

Os EUA pediram à Alemanha que se unisse à França e ao Reino Unido em uma missão para garantir o transporte através do estreito, pelo qual cerca de um quinto do petróleo do mundo passa, e “combater a agressão iraniana”, disse a embaixada dos EUA em Berlim na terça-feira (30).

“A Alemanha não participará da missão marítima apresentada e planejada pelos EUA”, disse Maas, acrescentando que a situação na região é muito séria e que tudo deve ser feito para evitar uma escalada. “Não há solução militar”.

A segurança do transporte marítimo no Golfo movimenta a agenda internacional desde maio, quando Washington acusou o Teerã de atacar navios, o que o governo iraniano negou.

Em julho, o Irã apreendeu um navio-tanque de bandeira britânica no Estreito de Ormuz, em aparente retaliação à tomada pelo Reino Unido de um navio iraniano acusado de violar sanções ao levar petróleo para a Síria.

Os aliados europeus de Washington discordaram da decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA do acordo nuclear com o Irã no ano passado e reimpor sanções econômicas. Eles têm hesitado em apoiar uma missão liderada pelos EUA que pode aumentar a tensão na região.

O Reino Unido convocou na semana passada uma iniciativa naval liderada pela Europa, mas os Estados Unidos continuaram a pressionar por uma missão que incluísse suas próprias forças, que são muito mais poderosas que as dos aliados europeus.

Na Alemanha, há oposição dentro da coalizão conservadora da chanceler federal Angela Merkel , especialmente de seus parceiros social-democratas (SPD), para se juntar a qualquer missão liderada pelos EUA.

Os comentários de Maas, um social-democrata, foram os mais explícitos do governo, mas ecoaram a declaração de uma porta-voz do governo, que disse que a Alemanha não se ofereceu para participar de uma missão naval americana.

“O governo está reticente quanto à proposta concreta dos EUA e, por isso, não fez uma oferta”, disse Ulrike Demmer, porta-voz do governo, em coletiva de imprensa em Berlim, após uma reunião do gabinete.

Alternativa europeia?

Em Bruxelas, a nova ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, adotou uma posição mais suave, dizendo que nenhuma decisão final foi tomada, mas também enfatizou que os europeus tinham visões diferentes dos americanos.

” Agora temos um primeiro pedido geral dos Estados Unidos, os outros parceiros internacionais para uma possível missão”, disse ela a repórteres antes de uma reunião com o secretário-geral da Otan , Jens Stoltenberg.

“Estamos analisando esses pedidos, em estreita cooperação com o Reino Unido e a França, e estamos fazendo isso considerando nossas metas políticas e diplomáticas e, nessa avaliação geral, uma decisão correspondente será tomada”.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha negou que houvesse uma discrepância nas declarações de Demmer e Kramp-Karrenbauer, dizendo que enquanto Berlim estava examinando uma possível participação, nenhuma decisão oficial foi tomada.

Mais cedo, o ministro das Finanças alemão e vice-chanceler, Olaf Scholz, disse que era importante evitar uma escalada militar na região do Golfo e que uma missão liderada pelos EUA corre o risco de ser arrastada para um conflito ainda maior.

“Sou muito cético em relação a isso, e acho que é um ceticismo do qual muitos outros compartilham”, disse Scholz à TV ZDF.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha reluta em se envolver em missões militares no exterior. Uma pesquisa da Civey mostrou na quarta-feira que 56% dos alemães seriam contra a adesão a uma missão militar internacional no Estreito de Hormuz.

O conservador Norbert Roettgen disse acreditar que a Alemanha não deveria se unir à missão liderada pelos Estados Unidos, mas apoiou uma missão europeia, sem o Reino Unido, caso o país decidisse se juntar à missão americana.

  • Com informações da agência de notícias Reuters

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Source: DefesaTV





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