Há 101 anos terminou a “guerra que poria um fim a todas as guerras” - Geopolítica MundialGeopolítica Mundial
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publicado em:11/11/19 8:43 AM por: marcelo_mb_rj Notícias

Neste dia, 11 de Novembro de 1918, terminou a 1ª Guerra Mundial, na época referida apenas como “a Grande Guerra”, o maior e mais destrutivo conflito da história até aquela data.

No início do século 20 a Alemanha queria impor-se também como um grande império colonial, à semelhança do Reino Unido e da França, e para tal, começaram um grande e impressionante programa de construções navais e de rearmamento.

O Reino Unido e a sua poderosa Royal Navy, obviamente preocupados com as ambições alemãs, aproximaram-se ainda mais da França através da “Entente Cordiale”, abrindo as portas para um bloco franco-britânico muito coeso.

Cartão postal em referência à Entente Cordiale, a “unidade” entre o Reino Unido e a França

Em 1914, com a Alemanha lançando navios de guerra à um ritmo impressionante, e com os britânicos e franceses construindo armas à uma velocidade nunca antes vista, bastava uma pequena faísca para que a guerra começasse, com essa faísca vindo no dia 28 de Junho de 1914 com o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand por Gavrilo Princip, um nacionalista sérvio.

Naquela época toda a região dos Bálcãs fazia parte do Império Austro-Húngaro, um império que estava sofrendo fortes pressões internas, com grande parte dessa pressão vindo justamente daquela região.

O assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand

O assassinato do Arquiduque, o herdeiro ao trono do Império Austro-Húngaro, foi um ataque terrorista com o objetivo de espalhar a mensagem de grupos nacionalistas locais e, como tal, foi tratada como uma questão interna e uma crise regional, no entanto, o Império da Rússia tinha interesse em ampliar a sua influência nos Bálcãs, com o Czar Nicolau II anunciando que não iria tolerar uma resposta militar austro-húngara contra aquela região.

Para o Império Austro-Húngaro do Imperador Franz Joseph I, a Sérvia deveria ser atacada e os grupos nacionalistas deveriam ser sufocados, e por isso encaravam a posição da Rússia como uma intromissão intolerável em assuntos internos.

Imperador Franz Joseph I do Império Austro-Húngaro

Paralelo a isso, o Imperador Franz Joseph I tratou de reforçar a sua aliança com o Kaiser alemão Wilhelm II, do qual recebeu um “cheque em branco”, com a Alemanha garantindo que apoiaria os austro-húngaros em qualquer circunstância.

Kaiser Wilhelm II da Alemanha

Com essa garantia em mãos, o Imperador Franz Joseph I enviou um ultimato para a Sérvia com exigências impossíveis de serem cumpridas, e quando os sérvios responderam com uma negativa, ordenou uma mobilização parcial das forças austro-húngaras, o que foi respondido pelo Czar Nicolas II com a mobilização parcial das forças russas.

A Alemanha, que tinha dado um “cheque em branco” para os austro-húngaros, ao verem a mobilização russa, iniciaram também a sua própria mobilização parcial.

Como naquela época a Rússia, a França e o Reino Unido tinham entre si um acordo de entendimento conhecido como a Tríplice Entente, os franceses e os britânicos viram na mobilização alemã contra a mobilização russa a oportunidade perfeita para juntos atacarem a Alemanha, colocando um fim nas pretensões alemãs de expansão colonialista que ameaçavam os domínios franceses e britânicos, principalmente no continente africano.

Czar Nicolas II da Rússia

Ficou assim estabelecido o chamado bloco das Potências Aliadas, formado inicialmente pela França, pelo Reino Unido, pela Rússia, pela Sérvia e por Montenegro, um bloco que cresceria bastante nos meses e anos seguintes e que acabaria incluindo a Itália, os EUA, Portugal e muitos outros.

Rei George V do Império Britânico

Do outro lado da frente de combate alinharam as chamadas Potências Centrais, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano (atual Turquia) e a Bulgária.

No dia 28 de Julho de 1914, exatamente 1 mês após o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand o Império Austro-Húngaro, com o “cheque em branco” alemão em mãos, declarou guerra à Sérvia.

Dois dias depois, no dia 30 de Julho, a Rússia iniciou a mobilização total das suas forças, o que levou a Alemanha a enviar um ultimato para a Rússia exigindo o fim dessa mobilização.

No dia 1º de Agosto, após a Rússia se negar a parar a sua mobilização, a Alemanha declarou guerra à Rússia, levando o Império Austro-Húngaro a ordenar a mobilização total das suas forças no dia 4 de Agosto.

Paralelo a isso, a Alemanha enviou um ultimato para a França e o Reino Unido, exigindo que parassem com a mobilização parcial das suas forças, mas como não obteve resposta, no dia 2 de Agosto os alemães ocuparam o pequeno Luxemburgo e no dia seguinte, 3 de Agosto, declararam guerra à França.

No dia 4 de Agosto, com a Alemanha invadindo a Bélgica, o Reino Unido ordenou que os alemães respeitassem a neutralidade belga, mas como a resposta foi negativa, nesse dia os britânicos declararam guerra à Alemanha.

No dia 6 de Agosto foi a vez do Império Austro-Húngaro declarar guerra à Rússia, com dezenas de outras declarações de guerra se seguindo ao longo dos meses e anos seguintes.

Jornal de Nova York destacando o início da guerra na Europa

Quando essa guerra começou, o sentimento geral era de que seria rápida e que terminaria antes do Natal de 1914, mas essa previsão rapidamente se mostrou incorreta, com a guerra se espalhando por toda a Europa, com combates na Frente Oriental entre a Alemanha e a Rússia, combates na Frente dos Bálcãs entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia e combates na Frente Ocidental entre a Alemanha e a França aliada com o Reino Unido.

No início dos combates os exércitos aplicaram no terreno táticas de combate do século 19, incluindo avanços compactos da infantaria contra as linhas adversárias, no entanto, com o avanço da tecnologia, armas como metralhadoras e peças de artilharia com alta cadência de tiro estavam disponíveis em abundância, o que levou à uma autêntica carnificina.

Soldados avançando durante a Batalha do Somme, 1916

Diante disso, ambos os lados entrincheiraram-se em posições mais ou menos fixas, incapazes de realizar grandes avanços devido a essas armas, o que levou ao advento dos carros blindados de combate, primeiro às mãos dos britânicos, uma inovação que foi rapidamente seguida pelos franceses e também pelos alemães.

Soldados avançando a partir de uma trincheira, 1918

A guerra, que duraria cinco ou no máximo seis meses e que inicialmente era vista como uma questão interna nos Bálcãs, durou 4 anos, 3 meses e 2 semanas e se espalhou pela Europa, pela África, por algumas ilhas no Pacífico, pela China, pelo Oceano Índico e por todo o Oceano Atlântico, colocando de um lado mais de 40 milhões de soldados das Potências Aliadas e, do outro lado, mais de 25 milhões de soldados das Potências Centrais.

Prisioneiro de guerra aliado capturado pelos alemães

Foi a mais destrutiva guerra até à data, com quase 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos apenas entre os militares, com mais de 10 milhões de mortos e feridos entre os civis.

Com as condições sanitárias se deteriorando muito durante a guerra, o número de vítimas mortais de doenças como a gripe eleva o número total de baixas para inacreditáveis 70 milhões de pessoas entre militares e civis.

Centro de triagem para vítimas da gripe, 1918

Com a derrota alemã e austríaca, as potências vencedoras, procurando vingança, impuseram contra a Alemanha uma série de condições e exigências terríveis, levando a fome e a miséria ao país.

A assinatura do Tratado de Versailles no dia 28 de Junho de 1919, que impôs duras medidas contra a Alemanha

Como consequência disso, surgiram movimentos extremistas por toda a Alemanha, com destaque para os de inspiração comunista e os de inspiração fascista, onde se sobressaiu, a partir da segunda metade dos anos 20, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, simplesmente conhecido como o Partido Nazista, liderado por Adolf Hitler.

Adolf Hitler num discurso em 1925

As condições impostas contra a Alemanha eram tão duras e severas que o Marechal francês Ferdinand Foch, ao ler o documento final do Tratado de Versailles assinado em 1919, disse: “isso não é a paz, mas sim um armistício por 20 anos”.

Ele estava assustadoramente certo e exatamente 20 anos depois, em 1939, teve início uma outra guerra ainda mais devastadora!

Soldados alemães destruindo uma barreira fronteiriça polonesa no dia 1º de Setembro de 1939, dando início à 2ª GM


Source: HNMM





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