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Imagens de satélite mostram atividade na fronteira entre Índia e China

Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), imagens divulgadas esta semana pela Maxar, empresa de imagens de satélite sediada no Colorado (EUA), mostram atividades de construção no alto das montanhas Karakoram, ao longo do vale do rio Galwan, depois de diplomatas chineses e indianos terem garantido que os dois lados concordaram em desmobilizar.

Segundo especialistas ouvidos pela AP, as imagens indicam que a Índia está construindo um muro no seu lado da fronteira, enquanto a China vem expandido um acampamento no final de uma longa estrada ligada a bases militares chinesas.

As movimentações surgem na sequência do pior confronto entre os dois países asiáticos desde 1962, por causa das suas reivindicações naquela região fronteiriça. O incidente, que ocorreu em 15 de junho no vale de Galwan, no oeste dos Himalaias, deixou 20 militares indianos mortos e 76 feridos num embate com pedras e paus, sem armas de fogo.

A China não confirmou se houve baixas entre seus militares. Os dois lados concordaram em construir postos de observação, em ambos os lados da foz do rio Galwan, disse o embaixador da China na Índia, Sun Weidong, à agência de notícias Press Trust of India, na última terça-feira (23).

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Anurag Srivastava, disse que “ambas as partes concordaram em respeitar a Linha de Controlo Real (LAC) e não empreender qualquer atividade para alterar o ‘status quo‘”, não se pronunciando sobre se tinham concordado com a construção de postos de observação.

Índia e a China acusam-se mutuamente pelo confronto, e fizeram novas reivindicações sobre a área. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, disse na quarta-feira (24) que o confronto ocorreu do lado da China, na chamada Linha de Controlo Real, acusando as forças indianas de entrarem ilegalmente em território chinês.

Na quinta-feira (25) Srivastava disse ter sido a China quem provocou o confronto, quando os seus soldados “procuraram erguer estruturas em toda a LAC” do lado indiano, tendo os soldados indianos abortado essas tentativas.

Uma sequência de imagens da Maxar da curva do rio onde o confronto ocorreu, nas semanas antes e depois do confronto, indica que a construção a partir de bases chinesas se tinha expandido em direção à Linha de Controlo Actual, disse à AP o vice-presidente da empresa, Steve Wood.

Segundo a mesma fonte, desde 22 de maio que as imagens de satélite mostram “coluna após coluna de caminhões pesados, escavadoras, bulldozers e algum equipamento militar blindado” descendo do Vale de Galwan em direção à fronteira disputada.

Antes e depois do confronto fatal, a China continuou a transportar equipamento de construção, soldados e equipamento militar para a LAC, disse Chris Biggers, analista sênior da empresa de inteligência geoespacial HawkEye 360.

“Os chineses estavam obviamente avançando (…) para o que consideram a sua linha de reivindicação. Construíram agora um posto em um caminho reforçando a sua reivindicação, mudando assim o ‘status quo‘ na área“, disse.

Nesse ponto, o rio Galwan realiza uma curva no sentido oeste, em direção a uma rota de abastecimento estratégica para um campo de aviação importante da Índia.

Biggers disse que as imagens de satélite indicam que a Índia construiu um muro em pedra em frente ao novo posto chinês, com um conjunto de barreiras cobertas por redes de camuflagem e lonas que “poderiam também funcionar como posições de combate”.

“Vemos também bastante atividade na estrada, com caminhões deslocando-se em ambas as direções, bem como tropas avançando em formação ao longo do novo caminho”, acrescentou.

A China reivindica cerca de 90.000 km² de território no nordeste da Índia. A Índia diz que a China ocupa 38.000 km² de território no planalto de Aksai Chin, na região dos Himalaias, uma parte contígua da região de Ladakh.

Índia declarou unilateralmente Ladakh um território federal em agosto de 2019. A China foi dos poucos países a condenar fortemente a medida, referindo-a em fóruns internacionais, incluindo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

  • Com agências internacionais


Source: DefesaTV