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publicado em:1/10/19 5:02 PM por: marcelo_mb_rj Notícias

Em um discurso curto e com forte teor nacionalista, o presidente chinês, Xi Jinping , abriu na manhã desta terça-feira o ponto alto das comemorações pelos 70 anos da fundação da República Popular da China, um desfile militar em Pequim no qual a segunda potência econômica global exibiu seu crescente poderio bélico.

Com a Praça da Paz Celestial lotada, Xi, vestido com um terno ao estilo Mao, defendeu a unidade do país. — Nada pode fazer com que os pilares de nossa grande nação se abalem. Nenhuma força pode impedir que a nação e o povo da China avancem — disse.

Enquanto a cerimônia ocorria, no entanto, as ruas da região semiautônoma de Hong Kong foram novamente palco de confrontos , durante protestos contra a China. Um jovem de 18 anos foi baleado no peito por um policial — em 17 semanas de manifestações, essa foi a primeira vez que um manifestante foi ferido por arma de fogo.

Em Pequim, Xi aproveitou a celebração para louvar o desenvolvimento nacional, exaltando o fato de a extrema pobreza ter sido praticamente eliminada no país. Ele voltou a afirmar que manterá o princípio de “um país, dois sistemas”, que garante a autonomia política, jurídica e administrativa de Hong Kong e Macau, dizendo que é “preciso manter a estabilidade e a prosperidade em longo prazo” nos dois territórios.

A mensagem à comunidade internacional foi a habitual: a China manterá sua “ascensão pacífica”, mas saberá se defender: — Vamos seguir no caminho do desenvolvimento pacífico, mas nossos militares vão resguardar a soberania e a segurança de nosso país. Após o discurso, Xi, em carro aberto, passou em revista as tropas, fazendo saudações às divisões armadas. A parada durou três horas.

Demonstração de força

O desfile militar, seguido de coreografias apresentadas por milhares de civis, foi assistido por cerca de 100 mil pessoas, incluindo representantes dos altos escalões da política chinesa, militares e convidados de 97 nações.

Em um recado direto a outros países, em especial os Estados Unidos —  ainda hoje a potência militar dominante na Ásia —, novas peças do arsenal chinês foram exibidas na parada.

— Se as armas mostradas tem um mensagem, ela é: a China tem os mísseis para assustar Taiwan, a Ásia, os Estados Unidos e o mundo — disse Rick Fisher, especialista do Centro de Estratégia e Análise Internacional, ao jornal Financial Times. — A China entende que agora está em uma corrida armamentista com Washington.

No total, segundo a agência estatal de notícias Xinhua, o desfile contou com a participação de mais de 15 mil militares, 160 aeronaves e 580 equipamentos.

A estrela do desfile

A estrela do show foi o novo míssil balístico intercontinental Dongfeng – 41 (DF-41), que, com alcance entre 12 e 15 mil quilômetros, pode atingir quase qualquer ponto do planeta. Segundo uma análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, o armamento é capaz de chegar aos Estados Unidos em apenas 30 minutos.

Até recentemente, especialistas ocidentais acreditavam que o DF-41, capaz de carregar até 10 ogivas simultaneamente, ainda estava em desenvolvimento. O míssil também pode carregar equipamentos capazes de enganar sistemas de defesa, fazendo com que sejam destruídos no lugar das ogivas.

Via Zero Hora

Com tecnologia hipersônica, o Dongfeng-17 (DF-17) também foi exibido pela primeira vez nesta terça-feira. Além de sua velocidade, o míssil utiliza veículos independentes de reentrada para lançar as ogivas, capazes de voar a uma altitude mais baixa que a normal — o que torna sua interceptação difícil e dá pouco tempo reação para seus adversários.

Outro armamento mostrado pela primeira vez foi o Dongfeng-100 (DF-100), um míssil de cruzeiro hipersônico com alcance entre 2 e 3 mil quilômetros, capaz de atingir alvos terrestres ou navios de guerra, segundo a imprensa oficial chinesa.

Uma série de sistemas não tripulados também foram mostrados na parada. Entre eles, o Li Jian, um drone de combate de longo alcance, e o WZ-8, um drone de reconhecimento ultrassônico ou supersônico.

Mísseis que podem ser lançados de submarinos e novos sistemas de defesa avançados, como o HQ-9B, “capaz de interceptar múltiplos ataques aéreos em um complexo ambiente eletromagnético”, também foram apresentados.

Segundo especialistas ouvidos pelo Financial Times, a combinação dos mísseis hipersônicos com novas técnicas de ataque e equipamentos de reconhecimento possibilitará ao Exército Popular da Libertação espiar e atacar seus adversários com maior rapidez e flexibilidade.

Com isso, a China “reduz a distância  dos Estados Unidos e limita as vantagens militares de Washington na Ásia”, disse à AFP Adam Ni, especialista em forças armadas chinesas da Universidade Macquarie, na Austrália.

— A China pode, com isso, dissuadir os Estados Unidos de intervirem em Taiwan, ou no Mar do Sul da China — disse Ni.

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