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Pequim ‘está pronta para conter os EUA’ em meio a exercícios navais no Mar do Sul da China

Em uma rara interseção de exercícios navais das duas potências rivais em uma das regiões mais tensas da Ásia, os EUA e a China posicionaram embarcações militares em vários pontos do Mar do Sul da China, alvo de uma série de disputas territoriais.

Pequim deixou clara sua insatisfação com a presença de navios americanos em uma área que considera sua, e declarou, nesta segunda-feira, que Washington tem “outras motivações”.

Os EUA enviaram, de forma intencional, um contingente militar para exercícios de grande escala no Mar do Sul da China, para mostrar sua força, disse o porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhao Lijian, durante entrevista coletiva. “Eles têm outras motivações. Os EUA criam divisões entre as nações da área e militarizam o Mar do Sul da China.”

Um ex-oficial da Marinha especialista em temas navais afirmou ainda que os chineses estão preparados para “conter ameaças” dos EUA.

“O compromisso chinês de salvaguardar sua integridade territorial, sua soberania e seus interesses marítimos não será amenizado depois da última ameaça interposta pelos EUA. Os militares chineses estão preparados e vão lidar com a ameaça de forma tranquila”,  afirmou Wang Yunfei, em entrevista ao canal de TV semiestatal Phoenix TV.

Embora sem incidentes práticos entre as duas Marinhas (“Eles nos viram e nós os vimos”, afirmou a jornalistas o almirante James Kirk, a bordo do porta-aviões USS Nimitz), a realização simultânea das operações, que oficialmente não são relacionadas entre si, deixa à mostra o nível das tensões militares, políticas e estratégicas na área.

Os exercícios chineses começaram na quarta-feira passada e seguiram até o domingo, e se localizaram perto de um arquipélago disputado pela China e pelo Vietnã, as ilhas Paracel. Pequim as considera parte de seu território e disse estar em seu pleno direito ao levar as embarcações para a área.

Mas países como as Filipinas e o Vietnã, que também têm interesses territoriais na área, criticaram a operação, contando com o apoio dos EUA na questão.

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Vietnã disse que as ações eram uma violação da sua soberania, e que isso poderia prejudicar as relações da China com os demais países asiáticos. Para o secretário de Defesa das Filipinas, os exercícios foram “extremamente provocativos”.

Na mesma linha, o Departamento de Estado dos EUA declarou que Pequim agia para “garantir posições marítimas ilegais e prejudicar as nações vizinhas do Sudeste Asiático”.

“As ações da China contrastam com suas promessas de não militarizar o Mar do Sul da China e com a visão dos EUA para uma região indo-pacífica livre e aberta”, declarou o departamento, em comunicado divulgado na semana passada.

No sábado, o Pentágono anunciou que dois porta-aviões — USS Nimitz e USS Ronald Reagan — se dirigiram à região para, segundo os militares, uma operação de rotina.

Em entrevista ao New York Times, um porta-voz da Frota do Pacífico disse que “ela não era uma resposta a qualquer evento político e internacional”, uma menção indireta aos chineses. As operações também contam com a participação de embarcações menores e aeronaves.

Na semana passada, manobras realizadas pela Marinha americana na região provocaram reações enérgicas de Pequim.

“Essa conduta provocativa dos EUA viola, de maneira grave, as leis e as regras internacionais relevantes, violando de forma séria a soberania chinesa e seus interesses de segurança”, declarou o responsável por operações na área, coronel Li Huamin, em entrevista ao jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista da China.

PHOTO / JAY DIRECTO (Photo by JAY DIRECTO / AFP)

Analistas apontam para o fato do envio de navios militares ser usado de forma rotineira como um “recado” dos EUA a determinado país, uma estratégia que já foi usada na região em um passado próximo.

Como lembra o New York Times, em 2016, o então secretário de Defesa, Ashton Carter, esteve a bordo de dois porta-aviões que passavam pela região, um ato visto como exemplo do compromisso de Washington com seus aliados na área.

Ponto de tensão

O Mar do Sul da China se estende por uma área de 3,5 milhões de km² que inclui sete países e Taiwan, considerada uma província rebelde por Pequim.

Ele tem importância estratégica para a região: é uma das principais rotas navais do planeta, por onde passa uma grande quantidade de navios comerciais. Também é uma área de intensa atividade pesqueira e, de certa forma, de exploração de petróleo e gás natural.

Com tantos interesses em jogo, são intensas as disputas pelo controle da área. A China considera que todo o mar faz parte de seus domínios, incluindo as centenas de ilhas. As ilhas Paracel, onde foram realizados os exercícios chineses dos últimos dias, são disputadas por Vietnã, China e Taiwan.

Em 1974, as forças do então Vietnã do Sul tentaram expulsar as forças chinesas da área, sendo repelidas pouco depois. Em 2012, um dos poucos locais habitados do arquipélago, a cidade de Sansha, foi alçada à posição de “capital administrativa” de toda a região, um ato recebido com protestos por países como o Vietnã e os EUA.

  • Com agências internacionais

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Source: DefesaTV