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Portugal deve se tornar um ‘player’ não só Europeu, mas Atlântico

objetivo aqui é transformar Portugal numa potência média do ‘soft power’ [poder de persuasão], ligando a diplomacia, as missões de solidariedade internacional das Forças Armadas Portuguesas, a tecnologia e a necessidade de combater as ameaças globais, para abrir caminho à criação de plataformas colaborativas que podem resolver problemas e abrir novas vias para a cooperação geopolítica e econômica”, revela o consultor em geopolítica António Costa Silva.

O documento, intitulado “Visão Estratégica para o plano de recuperação econômica e social de Portugal 2020-2030”, traz a lembrança as missões de ajuda humanitária em diferentes países do continente Africano, em que as Forças Armadas têm participado e “dão credibilidade a Portugal, em promovem ajuda internacional e abrem portas no mundo”.

“Todo este trabalho extraordinário das Forças Armadas e da rede diplomática portuguesa, que é importante para abrir linhas de cooperação geopolítica e econômica, deve ser reforçado, ampliado e integrado, para transformar Portugal num ‘player’ (ator) não só europeu, mas atlântico“, afirma.

Definindo o ‘soft power’ de Portugal como a “capacidade de agregar vontades e fazer funcionar redes a uma escala pluri continental“, o documento aponta como “vital” ampliá-lo para pôr em diálogo “as nações do Atlântico, desde os seus aliados tradicionais, como o Reino Unido e os EUA, as nações do Atlântico Sul, do Brasil a Angola, passando pelos outros países de expressão portuguesa”.

Dá como exemplos projetos de cooperação com os países do Norte de África “para minimizar o avanço da desertificação, combater a ameaça climática e a escassez de água“, e com as nações do Atlântico Sul “para preservar as rotas internacionais de comércio e prevenir os ataques piratas”.

Propõe ainda “promover com as nações do Atlântico uma grande plataforma de cooperação para estudar o oceano, compreender o seu funcionamento e lutar contra as alterações climáticas” e “erigir uma grande plataforma do Atlântico capaz de proteger o oceano, a segurança das redes de comércio e energia, reduzir as ameaças e construir políticas para minimizar a poluição e combater as alterações climáticas”.

“Uma grande parceria para ‘defender’ o Atlântico no século XXI vai muito para além da concessão tradicional de defesa e significa uma parceria para lutar e resolver os desafios comuns, minimizar os riscos e ameaças e assegurar a estabilidade e prosperidade econômica”, sustenta.

Defende, neste contexto, uma parceria científica e tecnológica e a cooperação geoeconômica entre as nações do Atlântico “para o desenvolvimento sustentável dos recursos energéticos e minerais e para proteger o oceano e os seus ecossistemas”.

António fala ainda sobre o reforço da cooperação geopolítica e econômica com os países atlânticos na parte consagrada ao “enquadramento geoestratégico e os futuros possíveis de Portugal”, mas faz múltiplas referências à importância do oceano ao longo do documento, propondo nomeadamente a criação, nos Açores, de uma grande Universidade do Atlântico.

“O país deve criar uma grande Universidade do Atlântico e um centro de previsão do clima, atraindo parceiros internacionais para os Açores, que é um dos melhores sítios do mundo para estudar a interação entre o oceano e a atmosfera, a terra e o ar, e esse conhecimento é valioso porque pode prevenir e mitigar a ocorrência de fenômenos climáticos extremos, quando as mudanças estruturais de combate às alterações climáticas e o avanço na descarbonização da economia ainda não estão a surtir efeito”, afirma.

Para o consultor, o “renascimento comercial e energético” da bacia do Atlântico mostra que “Portugal não é um país periférico”, tendo antes “uma posição absolutamente extraordinária” com a geografia como “o maior” dos recursos.

“O Oceano Atlântico está a ressurgir como grande plataforma energética e comercial”, afirma, apontando que “vai ser uma das grandes vias marítimas do século XXI”, o que representa “uma possibilidade imensa de mudar o estatuto e a trajetória” de Portugal.

“Temos que pensar em redes, em ‘hubs’, em polos agregadores de valências e produtores de riqueza e na inserção das nossas cidades, dos nossos portos, das plataformas logísticas, das cadeias de valor, de Portugal, nessas redes mundiais energéticas, comerciais, financeiras, tecnológicas, sem esquecer as redes do conhecimento”, defende.

No início de junho, o Governo confirmou que convidou o consultor em geopolítica e gestor da petrolífera Partex, António Costa Silva, para coordenar a preparação do programa de recuperação econômica, na sequência da pandemia de covid-19, e que este tinha aceitado o convite “como contributo cívico e ‘pro bono‘”.

Em entrevista à agência Lusa no dia 04 de junho, António Costa Silva afirmava que a recuperação econômica deve de “ser lenta”, impulsionada pelo fator “medo”. “Acho que vai ser lenta, porque nós temos aqui a erupção de um fator novo que também tem consequências econômicas, que é o medo”, afirmou.

  • Com informações do site Noticias ao Minuto (PT)

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Source: DefesaTV